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A Escola e o Professor - por Cecília Peixoto



A escola pode ser um estabelecimento público ou privado, espaço onde é processado sistematicamente a produção do conhecimento, a partir da contextualização cultural e filosófica de determinado povo ou nação, onde é estabelecido um ponto de intersecção, o aprendizado. Neste contexto escola e professor não se dissociam, conforme abordagem neste texto.


Para além da família e da comunidade, a escola é um espaço de partilha, um arcabouço de experiências vivenciadas pelo acumulo de conhecimentos que foram construídos e observados ao longo do tempo, ampliação de possibilidades que proporcionam novas experiências em um processo cíclico e evolutivo. A escola após passar por um longo período de evolução até a contemporaneidade, conserva no seu bojo a formalidade, em espaço próprio, legalmente instituído e apto a implementar um currículo mediado por educadores e disciplinas, as quais escalonam conteúdos ordenados por uma gama de critérios que seguem a ideologia vigente no âmbito geográfico que se localizam.


Os saberes informais e formais complementam-se no processo ensino – aprendizagem, logo, a escola envolve uma interação necessária que vai além do educando e educador, perpassa família e comunidade, o que propicia uma teia de relações sociais e afetivas. A pandemia do covid-19 atingiu todas as estruturas da sociedade de forma mundial, no Brasil, como em outros países, as escolas fecharam suas portas no intuito de salvar vidas. Neste ínterim a escola tenta se reinventar. O ensino remoto é uma destas soluções, por outro lado a expectativa do retorno a normalidade pontuam inúmeras discussões nos diversos canais midiáticos e fora deles.


Além da gama de implicações legais, as questões sociais são cruciais, de modo especial nas escolas públicas brasileiras onde as diferenças são abissais em quadro comparativo com as escolas privadas. Os debates estabelecidos sobre a reabertura das escolas têm, o Ministério da Educação (MEC), envolvido em escândalos e na dança de cadeiras, segue omisso e alheio aos rumos da Educação no país, as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais atuam na base dos achismos, assim como os especialistas em educação, a associação de país do Brasil.


E os professores? Os professores peça fundamental da engrenagem, apesar de protagonistas da educação formal, são os únicos que não ocupam espaços nas discussões. Diretamente implicados no processo sentem-se pressionados nas questões de segurança, estabilidade empregatícia, gastos pessoais com pacotes de dados para mídias, jornada extra para preparar vídeo aulas, produção de materiais impressos, etc. paradoxalmente sua oitiva não é cogitada. Na sequência, as vozes de quinze professores atuantes em Salvador – Bahia foram resumidas para além de assegurar, proporcionar um lugar de fala aos mesmos. Os professores que fizeram parte desta enquete em sua maioria lecionam em escolas públicas, alguns também são rede privada, no ensino fundamental e médio.


O ponto comum nas falas destes profissionais é a invisibilidade a qual são submetidos nas questões que envolvem a educação. A exclusão dos professores na elaboração dos protocolos de volta as aulas, tantos em localidades brasileiras onde as aulas foram retomadas, quanto na maioria dos estados que ainda não o fizeram, as presenças dos professores foram e são ignoradas de forma deplorável. Há uma grande desmotivação do retorno às aulas sem uma vacina comprovadamente eficaz, contra o covid-19, especialmente por questões de infraestrutura dos espaços físicos na maioria das escolas da rede pública, não há até então garantia do fornecimento dos equipamentos de proteção individual para os docentes, testagem eficaz de todos os alunos, temem os entraves burocráticos com atrasos constantes de materiais, no caso álcool em gel e máscaras. Outro fator preocupante além do físico é a saúde emocional no trato como os alunos em virtude da perda de familiares próximos e das perdas na família dos próprios professores, preocupação pertinente devido às mudanças ocorridas no plano de saúde do estado, as quais acarretaram redução das cotas de atendimentos nos hospitais e clinicas conveniadas.


Os docentes revelam em sua maioria preocupação com o processo ensino-aprendizagem quanto a recuperação do ano letivo, devido a complexidade do contexto atípico que atravessamos. Diante das incertezas do retorno as aulas, alguns ensaios de retomada do ano letivo excluiu a participação dos professores, tanto da rede público quanto da privada, embora nas diversas mídias seja veiculado o contrário. O dia 15 de outubro é dedicado a (o) professora (o), qualquer homenagem a este profissional é merecida, haja vista o papel que ele exerce no contexto da sociedade. A responsabilidade e compromisso do professor transpõe currículos e quaisquer obstáculos por ser acima de tudo um ato de amor, amor este, no qual o homem é o centro. O professor tal qual um semeador, planta em solos férteis o conhecimento, do letramento aos estímulos de leituras com a finalidade de estabelecer uma compreensão de mundo, favorece assim, estimulo ao censo crítico, garantia que habilita o exercício da cidadania, com autonomia suficiente para gerar frutos, os quais ciclicamente alimentarão novas conhecimentos com perspectivas que favoreçam evolução continua. Logo, é fundamental a mediação do professor em todas as etapas da educação formal, não é autônomo um país em que a produção do conhecimento é limitada, castrada, intransigente, elitista e sem liberdade de expressão.


É oportuno ressaltar que apenas o aporte teórico acadêmico é insuficiente na produção do conhecimento. As relações interpessoais baseadas na afetividade, confiança e segurança, sobretudo nos estágios iniciais de escolarização complementam e contribuem para a formação humana, há, portanto, que ser considerado um novo enfoque epistemológico onde a natureza humana seja relevante, desprovido de preconceitos e desigualdades. Afinal o processo educacional não é uma produção robotizada em série.


Por conseguinte, 15 de outubro é uma data de reverência a (o) professora (a) em destaque no calendário, mas, estes profissionais da rede pública e privada merecem e devem ser além de reverenciados, respeitados nos seus direitos tanto pela comunidade em geral, como pelos gestores na esfera federal, estadual e municipal, ter condições de trabalho e remuneração de forma digna, assim como ter voto e voz nas diretrizes e decisões na área de educação que incidam sobre seus corpos (sua saúde) e sua prática docente. O professor é a ponte que auxilia a travessia do obscurantismo para sabedoria.


“O professor é, naturalmente, um artista, mas ser um artista não significa que ele ou ela consiga formar o perfil, possa moldar os alunos. O que um educador faz no ensino é tornar possível que os estudantes se tornem eles mesmos."


Paulo Freire

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