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A MARCHA DE WASHINGTON E A CONTINUIDADE DA LUTA

Cena do vídeo "Efemérides: Marcha en Washington 1963", disponível em Youtube



Vidas negras não importam na diáspora, nem no continente africano, a partir das construções e padrões históricos estabelecidos pelos europeus e mais tarde pelos norte-americanos. A tentativa de apagamento da racionalidade do negro pode ser delineada através de fatos e acontecimentos históricos, apesar da resistência na luta por igualdade perdurar por séculos, ainda é latente em nossos dias atrocidades racistas.


A Marcha de Washington foi uma demarcação de luta na diáspora conforme enfoque neste texto, e uma inspiração para a continuidade do povo negro na busca por garantia de direitos, os quais injustamente são negados devido a cor da sua epiderme. Em 28 de agosto de 1963, em Washington, capital dos Estados Unidos da América (E.U.A.), A Marcha de Washington, por Trabalho e Liberdade foi um marco de luta, assumiu enormes proporções, tanto pelo contingente de participantes, quanto à sua reverberação mundial.


Os organizadores estimaram um público de cem mil pessoas, a mídia apregoava vinte e cinco mil apenas, ledo engano, antes do início da passeata contrariando as expectativas encontravam-se reunidas duzentas e cinquenta mil pessoas. Além de negros militantes, o movimento reuniu estudantes, fazendeiros, advogados, operários e estrelas de cinema. As dores da discriminação e injustiça calavam fundo não apenas nas vítimas, mas, em todas as pessoas que conservavam a essência da humanidade. Os idealizadores da marcha foram Philip Randolph, organizador sindical, jornalista, líder dos direitos civis e Martin Luther King Junior, com formação em sociologia, Doutor em teologia, Pastor Batista e também ativista do movimento dos direitos civis nos E.U.A.


No dia da Marcha após outros discursos, inclusive de Philip Randolph, a oratória de Luther King silenciou a multidão pela precisão de suas palavras, as quais refletiam a cruel realidade dos negros nos Estados Unidos. O discurso de Luther King, deu ênfase a igualdade de direitos ao afirmar, que os negros não eram cidadãos livres e a Constituição deveria garantir direitos a vida, a liberdade, a felicidade e de fato direitos.


“Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados

por sua personalidade, não pela cor de sua pele. ”

Martin Luther King


A fala de Luther King, apesar de contundente, evitava o radicalismo no movimento, atenuando o sentimento de ódio e revolta, concentrava as reivindicações na razão como estratégia de impor avanços legais sem confrontos. Malcolm X apesar do ativismo em prol da mesma causa, foi contrário à marcha por ponderar que muitos negros presentes eram passivos em relação ao racismo, referindo-se aos negros burgueses presentes na marcha, destacando o conforto do deslocamento destes em veículos confortáveis, quando muitos se deslocavam com sacrifício, descordou das doações pecuniárias oriundas de organizações não negras para o evento, de negros e brancos darem as mãos durante o protesto, além de não confiar nas autoridades políticas da época, apesar do apoio à pauta de reivindicações.


As mobilizações provocadas por Luther King e outros ativistas negros, culminaram com a aprovação da lei contra a segregação racial em 1964, e a lei que garantia aos negros o direito de voto em 1965.


“O que me assusta não são as ações e

os gritos das pessoas más,

mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas. ”

Martin Luther King


Todavia, nos dias atuais, a luta contra o racismo recrudesceu, pois, as leis apenas não produzem as mudanças almejadas. O cerne do problema tem raízes históricas, as estruturas racistas continuam a demarcar territórios, definirem padrão de caracteres fenótipos e mensurar a humanidade pela epiderme “caucasiana”, responsáveis por sufocar George Floyd até a morte, imobilizado sem condições de defesa; Jacob Blacke baleado pelas costas com sete tiros, na presença dos seus filhos, o mesmo ficará sem os movimentos dos membros inferiores.


Os reflexos dos crimes racistas ocorridos nos Estados Unidos, ecoam na diáspora, negros em diversas partes do mundo verbalizam ou escrevem de forma uníssona: “VIDAS NEGRAS IMPORTAM”. No Brasil especificamente, amplia-se o eco devido a mortalidade da juventude negra, a letalidade pela covid-19 (Morrem 40% mais negros que brancos por coronavírus no Brasil), nas comunidades periféricas, segundo os dados, os negros morrem mais do que os brancos durante a pandemia, devido às desigualdades sociais e econômicas, determinantes de maior exposição ao contágio aliado a precarização do sistema de saúde. É vergonhoso o descaso de um país que ignora a perda de vidas apoiado na inação do governo federal.


Portanto, é responsabilidade de cada um de nós, enquanto cidadão consciente, denunciar qualquer tipo de atitude racista, exigir das autoridades a aplicação dos preceitos legais, apuração e celeridade dos órgãos competentes nos crimes de racismo, conscientizar nossos pares refutar atitudes que nos subjuguem e estratifiquem pela cor da pele. A Educação obviamente é um fator preponderante por propiciar as desconstruções de marcadores racistas que nos inferiorizam enquanto negros. A medida que nossos jovens se apropriarem da história do negro, as quais os livros didáticos e a escola em geral ainda não contemplam, a partir de serem estimulados a desenvolver autoestima e ocupar espaços na academia imbuídos de seus pertencimentos, com a responsabilidade de reconstruir a História, haverá mudanças de paradigmas que nos permitirão mudar o texto de fato e direito: “SOMOS IMPORTANTES”. Por ora, a luta continua, árdua, porém inspirados em Martin Luther King, Philip Randolpf, Angela Davis, Sueli Carneiro, Lelia Gonzalez, Abdias do Nascimento e tantos outros ícones negros.


“Pessoas oprimidas não podem

permanecer oprimidas para sempre.

O anseio pela liberdade

eventualmente se manifesta. ”

Martin Luther King Jr.


Cecília Peixoto



FONTE

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/06/05/

https://www.geledes.org.br/hoje-na-historia-1963-marcha-de-washington-

https://oglobo.globo.com/mundo/


Edição e Revisão: Eliane Rubim

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