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Diversidades e Diferenças - por Jamile Santana



A filósofa e educadora Sueli Carneiro (Foto: Marcus Steinmayer)


A partir do texto de Cristiano Pedreira neste site, falando sobre empatia, retomei uma reflexão que tive em 2018 ao apreender a singela e marcante diferença entre diversidade e diferença proposta no livro “Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças” de Richard Miskolci, que apesar do nome estrangeiro é um sociólogo brasileiro. Assim, o livro discorre pela perspectiva e vivência do autor narrando marcadores de diferenças como a classe, a raça, a identidade de gênero, orientação sexual, entre outros que ocorrem no contexto educacional escolar.


Miskolci aborda categorias opressoras como o machismo, patriarcado, conservadorismo, as quais são colocadas e incutidas de forma bastante violenta na vida das pessoas, e neste aspecto afirma que o objetivo é “refletir sobre os laços profundos entre educação e normalização social, entre a escola e os interesses biopolíticos, entre o sistema educacional e a imposição de modelos de como ser homem ou ser mulher, masculino ou feminino, hétero ou homossexual”; E o seu fundamento e análise para essa reflexão e desenvolvimento tendo um novo olhar para a educação, se fundamenta na teoria queer. Ao ter acesso a esse panorama de vivência e numa perspectiva educadora é impossível não conectarmos as vivências sociais, até porque a escola é um espaço educacional que infelizmente não está isenta de reproduções perversas existentes na nossa sociedade.


Desta maneira resumidamente o autor analisa que há no País uma tendência marcante em misturar os termos “diversidade” e “diferença”. Sendo que para ele a ideia de diversidade está “ligado a ideia de tolerância e convivência” enquanto que o termo diferença é “mais ligado a ideia do reconhecimento como transformação social, transformação das relações de poder, do lugar que o outro ocupa nelas”. E acrescenta que “quando você lida com o diferente você se transforma, se coloca em questão. Diversidade é ‘cada um no seu quadrado’, uma perspectiva que compreende o Outro como incomensuravelmente distinto de nós e com o qual podemos viver, mas sem nos misturarmos a ele. Na perspectiva da diferença, estamos todos implicados/as na criação deste outro, e quanto mais nos relacionamos com ele, o reconhecemos como parte de nós, não apenas o toleramos mas dialogamos com ele sabendo que essa relação nos transformará”. Essa abordagem proposta por Richard considero bastante pertinente, e ao ler conecto automaticamente ao trabalho da Sueli Carneiro, “A construção do outro como não-ser como fundamento do ser” que parte justamente dessa concepção e construção das diferenças para configurar estruturas de poder e biopoder no qual este outro, que para a autora é demarcado nas relações raciais, não é considerado alguém passível de existência e por consequência de direitos, dentro da perspectiva dos direitos humanos.


Diante do exposto essa abordagem que segrega e distância o outro/ a outra à uma realidade e vivência distante da nossa, servem muitas vezes para estarmos em posições cômodas e de conforto dentro de um processo de sociabilidade que aborda diferentes pessoas, identidades étnico raciais, expressões de gênero e sexualidades, culturas, religiosidade ou fé e expressões de ser e de viver que são múltiplas e por isso não cabe julgamentos morais ou até mesmo praticar a concepção de diversidade que distância aquele ou aquela que é considerado diferente da norma ou padrão, a ideia nesta escrita reflexiva e propositiva é considerar a empatia própria do exercício cidadão consciente e amarrar a ações concretas de identificação deste outro como parte de nós.


Para sintetizar e harmonizar esse apontamento cito a música de Lazzo Matumbi “Alegria da Cidade” e que afirma “Eu sou parte de você, mesmo que você me negue, na beleza do afoxé ou no balanço do regue; Eu sou o sol da Jamaica, sou a cor da Bahia; Sou sou você e você não sabia”. Segue o embalo da música e da consideração que se expõe, afinal somos a Alegria dessa cidade e deste mundo! Seguimos.


CRÉDITOS:

Edição: Lili Rubim

Foto: Marcus Steinmayer



FONTE:

https://www.institutohori.com/post/que-tal-falarmos-de-empatia-no-dia-de-hoje-por-cristiano-pedreira


CARNEIRO, Aparecida Sueli; FISCHMANN, Roseli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 2005.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.


MISKOLCI, Richard . Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autêntica Editora/UFPO, 2012. 80 p. (Série Cadernos da Diversidade, 6).

https://www.youtube.com/watch?v=xpiAtqX9O_c (música Alegria da Cidade - Lazzo matumbi)

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