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QUE TAL FALARMOS DE EMPATIA NO DIA DE HOJE? - Por Cristiano Pedreira*

No Dia Internacional da Mulher Negra Latina Caribenha, como nós, homens, podemos auxiliar na redução da violência contra as mulheres a partir da empatia.


“Poderia haver maior milagre do que olharmos com os olhos do outro por um instante?” – Henry David Thoreau

25 de Julho é o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha, cuja origem remonta ao primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana, em que discutiram sobre machismo, racismo e formas de combatê-los, surgindo uma rede de mulheres que permanece unida até hoje.


É importante que nós, homens, possamos marchar ao lado nesta luta - e aqui, quero chamar a atenção dos senhores de como devemos fazer isso, a partir de um tema que talvez conheçamos pouco e que deve ser objeto de mais estudos: EMPATIA.


Primeiro, é necessário definir o que seja empatia e sua importância.


Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro; e isso não exige de você uma relação de amizade, carinho ou de solidariedade. Não se trata de um apelo a psique, as emoções, ao pieguismo e mesmo a uma pretensa rede de solidariedade entre as pessoas (solidariedade, amig@s, não pode ser concebida como auxílio a quem não tem nada em tempos pandêmicos: isso é humanidade mesmo).


Empatia não se confunde com simpatia por alguém ou alguma causa: quando você oferece um prato de sopa a alguém na rua, o que você demonstra é simpatia por aquela outra pessoa, pois apresenta piedade; quando você se enxerga na outra pessoa, sente o frio, a dor da necessidade e passa a imaginar os traumas que aquela pessoa experimenta por estar ali, comendo aquele prato de sopa, o que você demonstra é empatia.


Apesar de sermos um país conhecido pela alegria e hospitalidade, quando nós falamos em empatia estamos muito longe do ideal. Segundo citado no Correio Braziliense do dia 29/12/2016: Um estudo da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, analisou respostas de um questionário aplicado em 61 países, com 104 mil pessoas, que tentava medir compaixão e empatia em situações hipotéticas. O Brasil ficou em 51º na lista, atrás de países como Equador, Arábia Saudita, Peru, Dinamarca e Emirados Árabes; por exemplo.


Aliás, na Dinamarca, um dos países em que as pessoas são mais felizes, a empatia é tema central discutido com os alunos ao longo dos anos na escola. Por lá, “aprender” empatia é algo tão importante quanto aprender matemática ou literatura. Segundo notícias, os currículos escolares tratam do tema como uma disciplina fixa e estruturada.


Para a pesquisadora Anita Nowak, da Universidade McGill, é a empatia a chave para a sobrevivência da raça humana. Ela destaca que sem empatia, sobra a violência: e num país onde o racismo e o sexismo são estruturais, a figura masculina tem um papel relevante na defesa dos direitos e interesses das mulheres.


Definido, portanto, o que vem a ser empatia e sua importância, convém discutir como faço para desenvolvê-la.


E, aqui, não existem grandes receitas ou dificuldades na sua implementação. São 4 (quatro) regras simples, fáceis de serem assimiladas e que fazem toda a diferença. Lembrem-se de mainha: "Façam o dever de casa!"


A primeira destas regras é “RESPEITE O OUTRO”, o que significa ter consideração, deferência, reverência. A Empatia portanto exige, exclusivamente, R-E-S-P-E-I-T-O. Escrito assim, em letras garrafais e com destaque, para ver se você entende.


A segunda regra é TER CONSCIÊNCIA de que a ofensa praticada contra qualquer mulher pode ser a mesma ofensa pode vir a ser praticada contra as mulheres que você ama ou sente afeição, como sua mãe, companheiras, filhas e afilhadas, tias e madrinhas ou mesmo à sua vizinha. E você, Macho Alfa, se sentiu impotente? Eu estou aqui apelando pra ver se você me entende.


A terceira regra é MULHER NÃO É COISA: você não a possui, não a tem! As mulheres têm vontades e independente de qualquer das suas escolhas você não tem o direito de julgá-las.


Por fim, observe-se: Por muitas vezes podemos estar praticando algum tipo de violência contra a mulher que não percebemos. Nós nascemos, crescemos e morremos numa sociedade que não reconhece a importância da mulher, mas juntos e através da empatia, garantia dos seus direitos e apoio constante das suas reivindicações, nós podemos mudar este jogo.


Cristiano Pedreira é bacharel em Direito, Professor Universitário, Ativista dos Direitos Humanos, Livre Pesquisador sobre educação popular, economia solidária e criativa e, também, sobre comunicação e Presidente do Instituto Hori - Educação e Cultura.



FONTE:

As origens do Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha

Colocando-se no lugar do outro

O Poder da Empatia

Empatia: Exercício que liberta

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